Risco de assaltos aumenta na Lapa após saída da Guarda Municipal.

Uma estação, dois medos. Quem passa pelo Terminal de Transbordo Clériston Andrade, mais conhecido como Estação da Lapa, tem sempre a companhia da sensação de insegurança e dos problemas de infraestrutura do local.

Diariamente, as mais de 400 mil pessoas que passam pela estação vivem desviando das goteiras e temendo os roubos, principalmente nos últimos quatro meses, depois que os guardas municipais deixaram de manter base dentro do terminal.

A professora Gleides Antunes, 49 anos, passa pelo terminal todos os dias. Com medo. “Nunca aconteceu nada comigo, mas não venho à noite porque morro de medo. Conheço várias pessoas que já foram assaltadas. Sem contar que, no subsolo, parece que é bicho que pega transporte. Tudo imundo”, queixa-se ela, perto da escadaria de acesso à Avenida Joana Angélica.

Naquele trecho, em pouco tempo se ouvem muitos relatos de roubos. Dono de passos lentos, o aposentado Juraci Moreira, 65, conta que já foi assaltado duas vezes.

“Aqui é segurança zero. Uma vez, subia essa escada e no último degrau encostaram a faca em mim e levaram meu relógio. Em outra ocasião, voltava de uma festa com minha companheira, às 5h30, quando três caras cercaram a gente no subsolo”, lembra Juraci.

Este ano, a estudante Adriany Xavier, 15, aprendeu uma lição no primeiro dia de aula, mas não foi na sala, e sim na escadaria do terminal. “Tenho que ficar mais atenta. Descia sozinha quando o bandido suspendeu a camisa dizendo que estava armado e me mandou passar o celular. Foi horrível”, relata.

A colega dela, Ana Carolina Pereira, 15, teve um pouco mais de sorte, mas também já foi roubada. “Um cara estava atrás de mim e percebi que ele tentava abrir a minha mochila. Ele só conseguiu tirar uma caixa de misse (grampo de cabelo)”, comentou.
Risco de assaltos aumenta na Lapa após saída da Guarda Municipal
Até mesmo policiais militares que atuam na estação admitem que os usuários correm risco na Lapa. “Após as 19h, só um carro da 41ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) faz a ronda. Só esse carro passa por pelo menos 15 locais. Os bandidos sabem que a área está livre”, disse um PM, pedindo sigilo de identidade.

Módulo policial foi atacado pelo menos cinco vezes
A Lapa já contou com 30 homens da Guarda Municipal, mas, de acordo com a assessoria do órgão, os postos foram desativados nos terminais “em função das demandas de vandalismo ao patrimônio da cidade”. “Os agentes passaram a atuar através de rondas”, justificou.

Sem guardas e com poucos PMs, até o módulo policial já foi atacado. “A porta e a cadeira estão quebradas. Não tem vidro. O módulo já foi arrombado pelo menos cinco vezes. Até o televisor foi roubado”, relata um PM. De acordo com o major Jutamar Oliveira, comandante da 41ª CIPM, as rondas com duplas de policiais são feitas até as 21h e há sempre um carro de prontidão.

“Já existe um projeto de remodelagem do módulo, mas a dificuldade é da própria estação. A iluminação é precária”, avalia o oficial. Segundo o titular da Secretaria de Transportes e Infraestrutura (Setin), José Luiz Costa, amanhã será realizada reunião com representantes do Comando-Geral da PM e da Guarda Municipal, para elaborar um plano de segurança para a estação.

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